O
trabalho infantil, isto é, o desempenho de atividades de qualquer natureza por
crianças e adolescentes que não tenha fins educativos, foi uma prática muito
comum em diversas civilizações ao longo do desenvolvimento da humanidade.
Embora atualmente seja uma prática condenada na maioria dos países, ainda faz
parte do cotidiano de milhões de crianças no mundo inteiro.
Até
a Idade Média, o trabalho infantil, com exceção do trabalho escravo, estava
vinculado ao complemento da mão de obra para o sustento familiar, sendo pouco
comum o desenvolvimento do trabalho infantil para benefício de terceiros
(quando a criança não desfruta do lucro de seu trabalho). No período feudal, as
crianças passaram a trabalhar nos feudos, para os senhores feudais, e com os
mestres artesãos nas Companhias de Ofício, sendo muito comum, durante esse
período, o trabalho infantil em troca do aprendizado de um novo ofício, comida
ou moradia.
A
exploração do trabalho infantil atingiu seu auge durante a Revolução
Industrial. Nas primeiras indústrias implantadas na Inglaterra, França,
Alemanha e demais países da Europa, era comum a exploração da mão de obra
infantil em razão de seu menor custo em comparação com a mão de obra masculina.
Assim,
crianças, a partir dos quatro anos de idade, eram submetidas a regimes de
trabalho de cerca de 14 horas diárias, em locais insalubres, sem controle de
acidentes, em troca de pouco mais do que alimentação e moradia. Em consequência
dessa exploração da mão de obra infantil no início da Revolução Industrial,
muitas crianças foram mutiladas ou perderam a vida em acidentes que aconteceram
no interior de fábricas. Além disso, era comum o abuso infantil dentro dessas
fábricas. Erros, brincadeiras ou até mesmo conversas durante o horário de
trabalho recebiam punições, na maioria das vezes, muito severas.
Para
evitar que essas situações continuassem a acontecer, em 1802, a Inglaterra
implantou a primeira lei de controle do trabalho infantil nas indústrias do
país. Com o passar do tempo, outros países, como França e Alemanha, também
passaram a restringir o trabalho infantil. Entre as principais medidas
implantadas, estavam a proibição do trabalho infantil noturno, a redução da
carga horária máxima e o fim dos castigos físicos no ambiente fabril.
Com
o objetivo de aumentar os lucros e expandirem suas empresas, os industriais
recrutavam mão-de-obra barata para trabalhar nas fábricas. Marx (1989, p. 449)
discute esta questão e de acordo com ele “[...] a primeira preocupação do
capitalista ao empregar a maquinaria, foi a de utilizar o trabalho das mulheres
e das crianças”, pois a mecanização desqualificou o trabalho, pois a partir daí
bastava o mínimo de habilidade para que o trabalhador operasse as máquinas.
As
fábricas eram locais úmidos e quentes, sem ventilação adequada. O trabalho era
repetitivo e as jornadas de trabalho muito longas. Sobre o trabalho na fábrica
Marx afirma que o mesmo “[...] exaure os nervos ao extremo, suprime o jogo
variado dos músculos e confisca toda a atividade livre do trabalhador, física e
espiritual”. De tal maneira que “[...] até as medidas destinadas a facilitar o
trabalho se tornam meio de tortura, pois a máquina em vez de libertar o
trabalhador do trabalho, despoja o trabalho de todo interesse”. (MARX, 1989, p.
483).
Além
do salário muito baixo, da exaustiva jornada, havia o medo de perder o emprego,
pois havia muitos trabalhadores desempregados. Multiplicaram-se os bairros
pobres, habitados por operários, que muitas vezes moravam com suas famílias em
casas de um único cômodo. Não havia água potável, o esgoto corria a céu aberto,
ruas sem calçamento, lixo por todos os cantos. As instalações das fábricas eram
precárias, as condições de trabalho eram péssimas e as más qualidades da
moradia prejudicavam a saúde do trabalhador. “[...] o novo sistema industrial
arruinou a saúde de muitos trabalhadores. Quase todas as indústrias tinham as
suas doenças características e as suas deformidades físicas”.
Fonte:
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/trabalho-infantil-no-mundo.htm
Agora é com Você !
1. Quais os motivos levavam as crianças a trabalhar na Idade Media?
2. No período feudal, o que as crianças ganhavam em troca de seus serviços? 3. Quando a exploração do trabalho infantil atingiu seu auge? 4. Em quais países se localizavam as primeiras indústrias que utilizavam a mão de obra de crianças? 5. Segundo o texto com quantos anos as crianças iniciavam seu trabalho nas fabricas? 6. Quais foram as consequência dessa exploração da mão de obra infantil no início da Revolução Industrial? 7. Como era o ambiante de trabalho nas fabricas para as crianças e mulheres? 8. Em sua opinião atualmente crianças podem trabalhar ou não? justifique: |
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